domingo, 20 de outubro de 2019

Grupo de padres sinodais renova o "Pacto das Catacumbas"

Padres sinodais nas Catacumbas de Domitilla
Seguindo os passos de alguns dos Padres conciliares, em 1965, um grupo de participantes no Sínodo sobre a Amazônia foi às Catacumbas de Domitilla para reafirmar a opção preferencial pelos pobres.
Silvonei José, Amedeo Lomonaco - Cidade do Vaticano
A Igreja renova, no mesmo lugar e com o mesmo espírito, o forte compromisso assinado em 16 de novembro de 1965, poucos dias antes do encerramento do Concílio Vaticano II. Foi o dia em que 42 padres conciliares celebraram a Eucaristia nas catacumbas de Domitilla para pedir a Deus a graça de "ser fiel ao espírito de Jesus" no serviço aos pobres. Foi assinado o documento "Pacto por uma Igreja serva e pobre": o compromisso assumido foi o de colocar os pobres no centro da pastoral. O texto, também conhecido como "Pacto das Catacumbas", teve a adesão de mais de 500 padres conciliares.

Passos do Concilio e novos caminhos

Depois de 54 anos, a herança dos Padres conciliares foi assumida por um grupo de participantes no Sínodo dos Bispos para a região pan-amazônica, focalizado no tema: "Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral". O espírito daquele dia vivido em 1965 nas Catacumbas de Domitilla foi renovado. Na manhã deste domingo, na presença de dezenas de pessoas – entre os quais mais de 40 padres sinodais -, o cardeal Claudio Hummes, relator-geral do Sínodo para a Amazônia, presidiu a Santa Missa no mesmo lugar, o maior e mais antigo cemitério subterrâneo de Roma. E foi precisamente nas Catacumbas de Domitilla, estabelecendo uma forte ligação com o documento assinado em 1965, que foi assinado um documento intitulado "Pacto das Catacumbas pela Casa Comum". A novidade é que não foram somente os padres sinodais a assinar o documento, mas todos os participantes – sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos – afirmando a sua adesão ao Pacto em prol da Casa Comum. Presentes também representantes da Igreja Anglicana e da Assembleia de Deus.
Santa Missa

Cardeal Hummes: É preciso crer fortemente na oração

Durante a missa o cardeal Hummes no início da sua homilia falou desse "momento comovente e significativo". Depois de recordar que a Santa Missa é uma memória sacramental, mémoria de Jesus Cristo e que as Catacumbas eram cemitérios antigos dos romanos e dos primeiros cristãos que enterravam seus mártires, afirmou que todos os presentes se encontravam numa terra santa, “essa que nós pisamos aqui é verdadeiramente terra santa”.
O cardel Hummes continuou afirmando que as Catacumbas nos recordam os primeiros tempos da Igreja, da comunidade de discípulos e discípulas de Jesus em Roma. “Tempos difíceis, de perseguição, mas também de muita persistência, de muita fé, de muito testemunho. Por isso muitos morreram, por causa de seu testemunho. Tudo isso nos deve dar força, nos deve inspirar, pedindo para que Deus nos fortaleça, como ele fortalecia os cristãos daquela época”.
A Igreja sempre vai se reformando através dos tempos – sublinhou -; ela deve sempre voltar às suas raízes que estão aqui e em Jerusalém, para se inspirar em qualquer tipo de reforma. Também as reformas que o Papa Francisco quer fazer e está fazendo, - disse o pururado -, devem se inspirar e se inspiram,  certamente, nos tempos primitivos da Igreja. O Papa sempre diz isso, que é preciso purificar a Igreja das coisas que são meramente culturais de uma época que já passou, são coisas históricas, para de novo redescobrir aquilo que é o grande fulcro da mensagem de Jesus e encarná-lo no nosso tempo, na nossa cultura, nas nossas aspitações, na nossa maneira de vivermos a fé.
Depois de recordar que as leituras do dia falam principalmente da oração, da pregação da Palavra sem medo, “com profunda fé, devemos nós mesmos nos deixar invadir por essa Palavra e proclamar essa Palavra à qual aderimos”. É preciso crer fortemente na oração, afirmou. “Que essa missão continue, principalmente lá na Amazônia, e leve pouco a pouco a Igreja a se desenvolver nestas regiões. Neste Sínodo pedimos novos caminhos, melhores condições para podermos realizar a nossa missão, a missão de proclamar a Palavra”.
Insistir, disse dom Cláudio, de modo oportuno ou inoportuno, porque às vezes devemos falar de modo inoportuno. Para aqueles que se opõem ao Reino de Deus, o que mais se opõe ao reino de Deus é o dinnheiro e o desejo de acumular riqueza, às custas dos outros, às custas da natureza. “Todas as grandes maldades do mundo são por causa do dinheiro; é a corrupção, é o roubo, guerras, conflitos, são mentiras. Tudo para juntar dinheiro, para ganhar dinheiro às custas de qualquer coisa. O dinheiro é o grande inimigo de Jesus, pois você não pode servir a Deus e ao dinheiro”.
A Igreja deve ser sempre orante – voltou a dizer o cardeal Hummes - , em certas épocas mais do que em outras. Nós aqui devemos acreditar na oração por esse Sínodo, na força da oração. “Não somente estar aqui para discutirmos, debatermos e depois chegarmos a uma grande comunhão ao redor do texto final, mas rezar, pedir a Deus luzes, pedir a Deus adesão à sua inspiração, ao seu Espirito. Escutar o Espírito, escutar os nossos povos da Amazônia, escutar os gritos da terra. Termos essa abertura. A oração nos prepara para isso. Deus atende as orações”.
Dom Cláudio pergunta, recordando o texto do Evangelho sobre o juíz iníquo, sobre a realidade dos pobres: será que Deus vai fazê-los esperar, será que Deus vai fazer esperar os pobres e sofridos? Deus irá fazer esperar os nossos indígenas? Não, diz Jesus, Deus não os fará esperar. Na oração devemos ter essa certeza de que Deus não os fará esperar: “eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa”. Jesus nos dá essa convicção. Devemos ter essa convicção. Mas somos nós que devemos acolher, preparar o povo para acolher aquilo que Deus prepara, que é o seu caminho, que é o seu Reino.
"Eu tenho certeza que esse Pacto das Catacumbas - afirmou o cardeal -,  é algo que nos vai ajudar muito para estarmos unidos neste trabalho todo".
Concluiu recordando que ele estava usando a estola que pertenceu a Dom Hélder Câmara. “Uma relíquia, que eu me sinto muito emocionado de estar usando. Dom Hélder nos dá esse grande exemplo, nos lembra do Vaticano II e toda obra que o Vaticano II fez. Nós sabemos que esse Sínodo é produto do Vaticano II, ele é o fruto do Vaticano II, é um levar a efeito o Vaticano II. Isso é muito importante a gente ver essa referência, essa relação que tem: são os frutos, são as formas como o Vaticano II já nos indicava. Certamente temos também as nossas assembleias latino-americanas e outras também, mas é o Vaticano II que está ai. E ai temos a figura de Dom Hélder no Vaticano II recordando sempre que a Igreja não pode se esquecer dos pobres.
Dom Cláudio concluiu recordando uma entrevista recente do superior dos lefrevianos que dizia para aqueles que eram contra o Sínodo: “vocês não podem ser contra o Sínodo, o que é isso. Como é que vocês são contra o Sínodo, porque o Sínodo é um fruto legítimo do Vaticano II. Nós não. Nós somos contra porque éramos contra o Vaticano II, mas vocês não podem ser contra”. Devemos dar graças a Deus por esse fruto belo do Vatino II, conclui dom Cláudio.


Papa: a missão não pode ser um peso, mas um dom para oferecer




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No Dia Mundial das Missões, celebrado neste domingo (20) no âmbito do Mês Extraordinário Missionário, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa na Basílica de São Pedro. O Pontífice usou o substantivo 'monte', o verbo 'subir' e o pronome 'todos' para encorajar o testemunho de milhares de missionários no mundo.
Andressa Collet – Cidade do Vaticano
No Dia Mundial das Missões, celebrado neste domingo (20) no âmbito do Mês Extraordinário Missionário, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa na Basílica de São Pedro. O Pontífice usou o substantivo 'monte', o verbo 'subir' e o pronome 'todos' para encorajar o testemunho de milhares de missionários no mundo.
Andressa Collet – Cidade do Vaticano

Uma celebração eucarística caracterizada pela comunhão dos povos na Basílica de São Pedro. Na manhã deste domingo (20), o Papa Francisco presidiu uma missa, por ocasião do Dia Mundial das Missões no âmbito do Mês Missionário Extraordinário. A cerimônia foi especialmente animada pela genuína participação do coro e orquestra “Palmarito e Urubichà”, da Bolívia.

Na homilia, o Papa usou o substantivo monte, o verbo subir e o pronome todos, extraídos das leituras do dia, para encorajar o testemunho de milhares de missionários no mundo.

O monte, lugar de grandes encontros
Ao iniciar falando do monte, Francisco indicou aquele da Galileia, mas que poderia o do Sinai, do Tabor ou das Oliveiras, mas sempre “o monte parece ser o lugar onde Deus gosta de marcar encontro com toda a humanidade”.

“A nós, o que nos diz o monte? Que somos chamados a nos aproximar de Deus e dos outros: nos aproximar de Deus, o Altíssimo, no silêncio, na oração, nos afastando das maledicências e boatos que poluem; e nos aproximar também dos outros.”

Francisco então falou da importância de olhar o outro de uma outra perspectiva, do alto do monte, onde descobrimos que “a harmonia da beleza só é dada pelo conjunto”.

“O monte nos lembra que os irmãos e as irmãs não devem ser selecionados, mas abraçados com o olhar e sobretudo com a vida. O monte liga Deus e os irmãos num único abraço, o da oração. O monte nos leva para o alto, longe de tantas coisas materiais que passam; nos convida a redescobrir o essencial, o que permanece: Deus e os irmãos. A missão começa no monte: lá se descobre aquilo que conta. No coração deste mês missionário, vamos nos interrogar: para mim, o que é que conta na vida? Quais são as altitudes para onde vou?”

O subir, um êxodo do próprio eu O Papa partiu para o verbo que acompanhe o substantivo monte: o subir, já que “nascemos, não para ficar em terra nos contentando com coisas triviais, mas para chegar às alturas encontrando Deus e os irmãos”.
“ Para isso, porém, é preciso subir: é preciso deixar uma vida horizontal, lutar contra a força de gravidade do egoísmo, realizar um êxodo do próprio eu. Por isso, subir requer esforço, mas é a única maneira para ver tudo melhor, como o panorama mais bonito ao escalar a montanha só se vê no cimo. ”

O Papa recordou que a subida muitas vezes não é fácil, pois estamos carregados de coisas e é preciso deixar de lado o que não serve:

“É também o segredo da missão: para partir é preciso deixar, para anunciar é preciso renunciar. O anúncio credível é feito, não de bonitas palavras, mas de vida boa: uma vida de serviço, que sabe renunciar a tantas coisas materiais que empequenecem o coração, tornam as pessoas indiferentes e as fecham em si mesmas; uma vida que se separa das inutilidades que enchem o coração e encontra tempo para Deus e para os outros. Podemos nos interrogar: Como procede a minha subida? Sei renunciar às bagagens pesadas e inúteis do mundanismo para subir ao monte do Senhor?”

O pronome todos, a missão de todos
O que prevalece, porém, nas leituras, é o pronome todos, disse Francisco, repetido várias vezes: todos os povos, todas as nações, todos os homens.

“O Senhor Se obstina a repetir esse «todos». Sabe que somos teimosos a repetir «meu» e «nosso»: as minhas coisas, a nossa nação, a nossa comunidade... e Ele não Se cansa de repetir «todos». Todos, porque ninguém está excluído do seu coração, da sua salvação; todos, para que o nosso coração ultrapasse as alfândegas humanas, os particularismos baseados nos egoísmos que não agradam a Deus. Todos, porque cada qual é um tesouro precioso e o sentido da vida é dar aos outros este tesouro. Eis a missão: subir ao monte para rezar por todos, e descer do monte para se doar a todos.”

“Subir e descer… assim o cristão está sempre em movimento, em saída”, e “ao encontro de todos, não apenas dos seus e do seu grupinho”, enfatizou o Papa, que provocou mais questionamentos a todos: “assumimos o convite de Jesus ou nos ocupamos apenas das nossas coisas?”.

A missão, disse Francisco, é “mostrar, com a vida e mesmo com palavras, que Deus ama a todos e não se cansa jamais de ninguém”. E o Papa finalizou afirmando que “cada um de nós é uma missão nesta terra”.

“ Vai com amor ao encontro de todos, porque a tua vida é uma missão preciosa: não é um peso a suportar, mas um dom a oferecer. Coragem! Sem medo, vamos ao encontro de todos! ”


sábado, 19 de outubro de 2019

Bispo sinodal diz que 'Igreja tem dívida histórica com a mulher'

Que o papa Francisco já vetou a possibilidade de ordenar diaconisas, todos nós sabemos. Mas parece que o sínodo dos bispos para a Amazônia pensa diferente. Cresce na assembleia sinodal a proposta de conceder a elas o direito a um reconhecimento efetivo por parte da Igreja. E, na visão dos participantes, isso vai além de clericalizá-las: os padres sinodais chegam à conclusão de que a Igreja precisa dar respostas frente ao trabalho que elas prestam à instituição.
De acordo com o bispo de Félix do Araguaia (MT), Dom Adriano Ciocca, já passou da hora da ala feminina da Igreja receber a valorização que merece. O religioso se emocionou ao citar o espaço dado às mulheres na sala sinodal. Algo inédito, se considerarmos o quanto elas são numerosas. Essa assembleia de bispos conta com o maior número de mulheres já registrado desde que o órgão foi criado por Paulo VI, em 1965: são 35, no total. Segundo ele, no decorrer da reunião de bispos, as colocações do grupo feminino têm emocionado os participantes.
“Eu acho que a Igreja está com uma dívida grande com as mulheres. Se não forem dados passos agora, daqui a algumas décadas, a Igreja terá que pedir perdão às mulheres por não ter dado o espaço que elas devem ter dentro da Igreja. O fato de ter essa presença, me comove muito”, exclamou Ciocca, em lágrimas.
Diaconisas
Mas em se tratando do diaconato feminino, há sim uma abertura por parte da maioria. Quem confirmou foi um dos padres sinodais, o qual chegou, inclusive, a discursar sobre o tema durante uma congregação geral - momento no qual os participantes apresentam propostas diante do papa.
O antropólogo jesuíta Roberto Jaramillo, que atuou por 18 anos na Amazônia, considera a Igreja na região “uma instituição enraizada tradições do povo”, além de caracterizá-la como uma “Igreja pobre e para os pobres”. Ele diz os católicos das populações locais “tem muito a ensinar aos demais membros da instituição”. Sobre o papel da mulher, reconhece que é necessário ampliar esse reconhecimento.
“Na sala do sínodo, falei sobre o papel da mulher nessa realidade e sobre a necessidade dela ser reconhecida do ponto de vista eclesial. Apesar de nem todos serem de acordo, vejo uma abertura de grande parte da assembleia à reflexão sobre essa possibilidade”, afirmou.
Márcia Maria de Oliveira, professora da Universidade Federal de Roraima e especialista em Sociedade e Cultura indígenas, que é uma das peritas do sínodo, também explicou que não se trata de um desejo “de competir com os homens” na vida eclesial. “Não é uma disputa de poder para fazer sombra aos ministérios constituídos”, ressaltou.
Herança indígena
A partir da sua especialidade, ela também disse que as mulheres indígenas, que também têm sido representadas nesse sínodo, possuem qualidades que precisam ser reconhecidas.
“Elas nos ensinam muito na dimensão do cuidado com as crianças, com as sementes, com a casa, a ecologia e a família. Elas promovem um serviço baseado na coletividade. Há uma política de distribuição dos serviços. Em várias etnias, as mulheres são lideranças políticas, religiosas e são protagonistas do cuidado com a saúde da comunidade”, enfatizou.
Andamento do sínodo
Apesar de não ter sido revelado oficialmente o conteúdo das colocações do papa em alguns momentos da assembleia, uma fonte informou à nossa reportagem que o pontífice teria pedido que houvesse uma fusão maior entre os temas, de modo que as discussões não parecessem “fragmentadas”.
Após a divulgação dos textos produzidos pelos círculos menores - grupos linguísticos ou temáticos - entra o trabalho dos peritos, na última sexta-feira (18), entra o trabalho dos peritos, os quais averiguarão se o conteúdo produzido segue um rigor técnico (teológico, social, canônico, etc).
Na próxima semana, portanto, os participantes começarão a compor o texto final que sera entregue ao papa como resultado dos trabalhos realizados durante a assembleia.

SínodoAmazônico: apresentados os relatórios dos Círculos Menores

Círculos Menores no Sínodo para a Amazônia
Durante a 13ª Congregação Geral foram apresentados, na Sala do Sínodo, os relatórios dos Círculos Menores. Estavam presentes junto com o Papa 177 Padres Sinodais. As contribuições, entregues à Secretaria Geral, não constituem um documento oficial do Sínodo, nem mesmo um texto de magistério, mas a síntese de uma discussão franca e livre entre os participantes da assembleia.
Vatican News – Cidade do Vaticano
O Sínodo é um dom precioso do Espírito para a Amazônia e para toda a Igreja tanto no aspecto teológico pastoral, quanto pela inevitável tarefa do cuidado da Casa Comum. É um kairós, tempo de graça, ocasião propícia para a Igreja se reconciliar com a Amazônia. Este é o ponto comum que aproxima os doze relatórios dos círculos menores apresentadas na Sala sinodal na quinta-feira a tarde (17).

Um Sínodo universal

Todos os textos lidos publicamente exprimem a esperança de que seja desenvolvido um novo caminho sinodal na Amazônia e que da assembleia dos bispos no Vaticano seja criada uma fervorosa paixão missionária de uma verdadeira Igreja em saída. O desejo é de que o “viver bem” amazônico se encontre com a experiência das bem-aventuranças: de fato, à luz da Palavra de Deus, alcança a sua plena realização. As propostas concretas que nasceram são muitas e variadas e provém de vários círculos que fazem questão de esclarecer: este não é um Sínodo regional, mas universal, o que acontece na Amazônia refere-se a todo o mundo.
Ouça a reportagem

Igreja ao lado dos pobres e contra toda forma de violência

Um imperativo para a Igreja é escutar o grito dos povos e da terra; não calar, estar ao lado dos pobres para não errar e afirmar “chega de violência”. Na Amazônia a violência assume várias faces: violência nos cárceres lotados, abusos e exploração sexual; violação dos direitos das populações indígenas; assassinatos dos defensores dos territórios; tráfico de drogas e narco-business; extermínio da população jovem; tráfico de seres humanos, feminicídios e cultura machista; genocídio, biopirataria, etnocídio: todos males a serem combatidos porque matam a cultura e o espírito. Também é muito clara a condenação da violação extrativista e o desmatamento. De fato, também foi destacada a ligação entre abuso dos mais frágeis e abuso da natureza. Entre as várias emergências colocadas em evidência, foi dado também muito espaço ao tema da crise climática.

Proposta do Observatório Eclesial Internacional dos Direitos Humanos

Quem paga o maior preço são os nativos. Pagam com suas vidas, porque não são apoiados, não são protegidos em seus territórios. Por isso, mais de um Círculo Menor solicitou a instituição de um Observatório Internacional dos Direitos Humanos, na convicção de que a defesa dos povos e da natureza deva ser prerrogativa de uma ação pastoral e eclesial. Além disso é sugerido que as paróquias criem espaços seguros para as crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis. Reitera-se o direito à vida de todos desde a concepção até a morte natural.

A Igreja não deve ser uma ONG. Mais diálogo ecumênico

A Igreja – adverte um dos relatórios – tem a tarefa de acompanhar a obra dos defensores dos direitos humanos muitas vezes criminalizados pelos poderes públicos. Porém, ao mesmo tempo não deve agir como uma ONG. Este risco, acompanhado com o de se apresentar de forma exclusivamente ritualista, provoca muitas vezes o abandono de muitos fiéis que buscam respostas à sua sede de espiritualidade junto das seitas religiosas ou outras confissões. Portanto, dos Círculos Menores chega um pedido para que seja dada maior energia ao diálogo ecumênico e inter-religioso com a proposta de dois centros de confronto, um na Amazônia e um em Roma, entre os teólogos do RELEP (Rede de estudos pentecostais latino-americanos)e os teólogos católicos.

Ministerialidade, leigos e recusa do clericalismo

Invocando um ministério de presença, que rejeite todo o tipo de clericalismo. A este propósito encoraja-se um maior protagonismo dos leigos. De quase todos os Círculos Menores chega o pedido de aprofundar o significado de “Igreja ministerial”, ou seja, uma Igreja onde possa coexistir co-responsabilidade e compromisso dos leigos. O Círculo “Espanhol A” pede por exemplo, que seja concedido de modo equilibrado ministérios a homens e mulheres, abstendo-se porém do risco de clericalizar os leigos. Em nível geral propõe uma cuidadosa reflexão sobre os ministérios do leitorado e acolitado também a mulheres, religiosas ou leigas, adequadamente formadas e preparadas.

Mulher e diaconato

O tema da mulher está presente em mais de um relatório com o pedido de reconhecer, também em papéis de maior responsabilidade e liderança, o grande valor oferecido pela presença feminina no seu serviço específico à Igreja na Amazônia. Pede-se para garantir, por exemplo no âmbito de trabalho, o respeito dos direitos das mulheres e a superação de todo o estereótipo. A maior parte dos Círculos Menores manifestou o pedido de que seja dada atenção à questão do diaconato para as mulheres na perspectiva do Vaticano II, considerando que muitas funções deste ministério já são desempenhadas pelas mulheres na região. Em mais de um pronunciamento foi sugerido dedicar ao tema um aprofundamento em uma outra assembleia dos bispos, na qual talvez, possa ser dada às mulheres o direito ao voto.

Sacerdócio e viri probati

Foi sugerido um sínodo Universal específico sobre o tema dos viri probati. Sobre esta temática as perspectivas se diversificam entre um grupo de trabalho e outro. Ao evidenciar que o valor do celibato, dom a ser oferecido às comunidades indígenas, não está em discussão, o Círculo Italiano A alerta quanto ao risco de que este valor seja enfraquecido ou que a introdução dos viri probati possa desestimular o impulso missionário da Igreja Universal a serviço das comunidades mais distantes. A maior parte dos relatórios, principalmente as de língua espanhola e portuguesa, objetivando uma Igreja “de presença” mais do que “de visita”, exprime favor sobre o conferimento do presbiterado a homens casados, de boa reputação, preferivelmente indígenas escolhidos pelas comunidades de proveniência, mas em condições específicas. Especifica que estes presbíteros não devem ser considerados de segunda ou terceira categoria, mas verdadeiras vocações sacerdotais. Não deve ser esquecido o drama das muitas populações da Amazônia que atualmente recebem os sacramentos apenas uma ou duas vezes por ano, também foi pedido às comunidades locais para reforçarem a consciência de que não só a Eucaristia, mas também a Palavra representa um alimento espiritual para os fiéis.

Crise vocacional e formação sacerdotal

Considerando a dimensão do território pan-amazônico e a escassez de ministros foi cogitada a criação de um fundo regional para a sustentabilidade da evangelização. Além disso o Círculo Italiano A exprime “perplexidade” com relação à “falta de reflexão sobre as causas que levaram à proposta de superar de algum modo o celibato sacerdotal como foi expresso pelo Concílio Vaticano II e pelo magistério sucessivo”. Ao mesmo tempo espera-se uma formação permanente ao ministério com o objetivo de configurar o sacerdote a Cristo e se exorta o envio à Amazônia de missionários que atualmente exercem o ministério sacerdotal no norte do mundo. Diante da crise vocacional, os Círculos Menores relevam uma diminuição substancial da presença de religiosos na Amazônia e esperam uma renovação da vida religiosa que, sob impulso da Confederação latino-americana dos religiosos , CLAR, seja promovida com renovado fervor, de modo especial no que se refere à vida contemplativa. Também foi focalizada a formação dos leigos: deve ser integral e não apenas doutrinal, mas também kerigmatica, fundada na doutrina social da Igreja e que leve à experiência e ao encontro com o Ressuscitado. Ao mesmo tempo propõe-se o fortalecimento da formação dos sacerdotes: esta formação não deve ser apenas acadêmica, mas também realizada nos territórios amazônicos com experiências concretas de Igreja em saída, aos lado dos que sofrem, nos cárceres ou nos hospitais. Foi solicitada também a constituição de seminários indígenas onde possa ser estudada e aprofundada a teologia local.

Diálogo intercultural e inculturação

Os Círculos Menores pedem que seja consolidada uma teologia e uma pastoral de rosto indígena. Diálogo intercultural e inculturação não são entendidos como opostos. A tarefa da Igreja não é a de decidir pelo povo amazônico ou assumir uma posição de conquista, mas acompanhar, caminhar junto numa perspectiva sinodal de diálogo e escuta. Foi proposto introduzir um “Rito amazônico” que ajude a desenvolver, sob o aspecto espiritual, teológico, litúrgico e disciplinar, a riqueza singular da Igreja católica na região. Conforme explicado numa das relações, “devem ser valorizados os símbolos e gestos das culturas locais na liturgia da Igreja na Amazônia, conservando a unidade substancial do rito romano, visto que a Igreja não quer impor uma uniformidade rígida no que não afeta a fé”. Foi sugerida também a promoção do conhecimento da Bíblia, favorecendo a tradução nas línguas locais. Nessa ótica, foi proposta a criação de um Conselho Eclesial da Igreja Pan-amazônica, uma estrutura eclesiástica ligada ao Celam, Repam e Conferências Episcopais dos países amazônicos. “A cosmovisão amazônica”, afirma-se numa das relações, “tem muito para ensinar ao mundo Ocidental dominado pela tecnologia, muitas vezes a serviço da ‘idolatria do dinheiro’. Os povos amazônicos consideram o seu território sagrado. Portanto, deve ser incentivada uma reflexão sobre o valor espiritual do bioma, da biodiversidade e do direito à terra. Por outro lado, o anúncio do Evangelho e a originalidade da vitória de Cristo sobre a morte, respeitando a cultura dos povos, devem ser considerados um elemento essencial para abraçar e entender a cosmovisão amazônica.

Missionariedade e martírio

O missionário é chamado a despojar-se da mentalidade colonialista, a superar os preconceitos étnicos, respeitar os costumes, os ritos e as crenças. As manifestações com as quais os povos expressam a fé, pedem os Círculos Menores, são apreciadas, acompanhadas e promovidas. Foi sugerida também a criação de um Observatório sócio-pastoral pan-amazônico em coordenação com o Celam, as comissões de Justiça e Paz das dioceses, a Clar e a Repam. Luzes e sombras devem ser reconhecidas na história da Igreja na Amazônia. Deve-se distinguir entre Igreja “indigenista”, que considera os indígenas destinatários passivos da pastoral, e Igreja “indígena”, que os vê como protagonistas da própria experiência de fé, segundo o princípio “Salvar a Amazônia com a Amazônia”. É importante também valorizar o exemplo brilhante dado por muitos missionários e mártires que deram a vida na Amazônia por amor ao Evangelho. O Círculo Espanhol propôs incentivar os processos de beatificação dos mártires da Amazônia.

Migração, juventude e cidade

Nos textos lidos na sala não faltaram os povos isolados voluntariamente e foi pedido para que eles sejam acompanhados pelo trabalho de equipes missionárias itinerantes. Foi dado espaço também ao tema da migração, sobretudo juvenil. Hoje, 80% da população da Amazônia se encontra nas cidades. Um fenômeno que muitas vezes causa consequências negativas como a perda da identidade cultural, a marginalização social, a desintegração ou instabilidade familiar. Torna-se cada vez mais urgente a evangelização dos centros urbanos e a pastoral deve se adequar às circunstâncias sem se esquecer das favelas, das periferias e das realidades rurais. É urgente também uma pastoral juvenil renovada. No âmbito pedagógico, pede-se à Igreja para promover, de forma decisiva, a educação intercultural bilíngue e incentivar uma aliança de redes de universidades especializadas na ciência da Amazônia e na instrução superior intercultural para as populações indígenas.

Tutela da Criação e dimensão ecológica

A dimensão ecológica é central nas relações dos Círculos Menores em que se reitera que a Criação é uma obra-prima de Deus, que toda a Criação está interligada. Pede-se para não se esquecer de que “uma conversão ecológica verdadeira começa na família e passa por uma conversão pessoal, de encontro com Jesus”. A partir dessa premissa, é importante abordar questões práticas como as  temperaturas elevadas ou combate às emissões de CO2 (dióxido de carbono). Incentiva-se um estilo de vida mais sóbrio e a proteção de bens preciosos incomparáveis, como a água, direito humano fundamental que, se privatizado ou contaminado, corre o risco de prejudicar a vida de comunidades inteiras. Deve ser destacado o valor das plantas medicinais e incentivado o desenvolvimento de projetos sustentáveis, através de cursos que levem ao conhecimento de segredos e da sacralidade da natureza, segundo a visão amazônica. Alguns Círculos Menores propõem o desenvolvimento de projetos de reflorestação nas escolas de formação em técnicas agrícolas.

Pecado ecológico e promoção de uma economia solidária

Nessa ótica, insere-se a proposta dupla de inserir o tema da ecologia integral nas diretrizes das Conferências Episcopais e incluir na Teologia Moral o respeito pela Casa Comum e os pecados ecológicos, através de uma revisão dos manuais e rituais do Sacramento da Penitência. A humanidade, reconhecem alguns Padres sinodais, está caminhando em direção ao reconhecimento da natureza como sujeito de direito. “A visão antropocêntrica utilitarista é obsoleta e o homem não pode mais submeter os recursos naturais a uma exploração ilimitada que coloca em perigo a humanidade”. É necessário contemplar o imenso conjunto de formas de vida no planeta em relação umas com as outras, promovendo também um modelo de economia solidária e instituindo um ministério para o cuidado da Casa comum, conforme proposto pelo Círculo Português B.

Sínodo para a Amazônia e comunicação

Por fim, algumas relações deram espaço ao tema dos meios de comunicação. As redes católicas de comunicação devem ser incentivadas a colocar a Amazônia no centro de sua atenção a fim de difundir boas notícias e denunciar todo tipo de agressão contra a terra mãe e anunciar a verdade. Foi proposto também o uso das redes sociais na Web Rádio, na Web TV e na comunicação rádio a fim de difundir as conclusões do Sínodo. Deseja-se que o “rio” do Sínodo, com a força do “rio amazônico”, transborde dos muitos dons e sugestões oferecidos nas reflexões dos padres sinodais, na Sala do Sínodo, e que dessa experiência de caminhar juntos, possa jorrar novos caminhos para a evangelização e a ecologia integral.

 Vatican News

Papa Francisco preside missa pelo Dia Mundial das Missões neste domingo

A data cai neste domingo, 20 de outubroA celebração eucarística acontece na Basílica de São Pedro, com transmissão ao vivo do Vatican News com comentários em português a partir das 10h na Itália, 5h no horário de Brasília. A data é celebrada sempre no terceiro domingo de outubro e, neste ano, o Dia Mundial das Missões acontece no âmbito do Mês Extraordinário das Missões, convocado pelo próprio Pontífice.
Manoel Tavares - Cidade do Vaticano
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Neste domingo (20), o Papa Francisco vai presidir a Santa Missa na Basílica de São Pedro por ocasião do Dia Mundial das Missões, com transmissão ao vivo do Vatican News com comentários em português a partir das 10h na Itália, 5h no horário de Brasília. Neste ano, a data é celebrada junto a uma feliz coincidência eclesial: junto com o Mês Missionário Extraordinário convocado pelo próprio Pontífice e o Sínodo Pan-Amazônico.
O Dia Mundial das Missões é celebrado, anualmente, em todos os países, onde os católicos estão comprometidos com a construção de um mundo mais justo, digno e gratificante. Neste mês de Outubro, mês das Missões, o Santo Padre pede aos fiéis cristãos para rezar e contribuir para a obra de evangelização dos povos.

Mensagem para o Dia Mundial das Missões

Em sua Mensagem para este Dia Mundial das Missões, Francisco destaca que “a Igreja está em missão no mundo com o coração de Deus”. Propagar o Evangelho é um mandato que Cristo deixou a todos os batizados.
Hoje, mais do que nunca, diz o Santo Padre, a Igreja precisa de homens e mulheres que, em virtude do seu Batismo, respondam generosamente à chamada para deixar tudo e ir ao encontro das criaturas e povos, sobretudo nas periferias do mundo, a fim de transmitir-lhes a Palavra de Jesus, mediante o testemunho do Evangelho, em diálogo com as diversas culturas e tradições religiosas.

Papa Francisco convida a rezar a seguinte oração:

Pai Nosso, vosso Filho unigênito, Jesus Cristo,
ressuscitado de entre os mortos,
confiou aos seus discípulos:
“Ide e fazei discípulos todos os povos”, pois
através do batismo,
nos tornamos participantes da missão da Igreja.
Pelos dons do Espírito Santo, concedei-nos a Graça
de sermos testemunhas do Evangelho,
corajosos e vigilantes,
para que a missão, confiada à Igreja,
ainda longe de se realizar,
possa encontrar novas e eficazes expressões,
que levem vida e luz ao mundo.
Ajudai-nos, Pai Santo,
a fazer que todos os povos
possam encontrar o amor e
a misericórdia de Jesus Cristo,
Ele que vive e reina
agora e para sempre. Amém!
Vatican News 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

El Papa se reunió con un grupo de indígenas

2019.10.17 Papa Francesco incontra gli indigeni dell'Amazzonia. sinodo amazzonico

En el encuentro el Papa Francisco reiteró que el Evangelio debe inculturarse, porque "la gente recibe el anuncio de Jesús con su propia cultura"
El Director de la Oficina de Prensa, Matteo Bruni, informó que esta tarde, a las 15.30 horas, el Santo Padre se ha reunido con un grupo de unos cuarenta indígenas, entre participantes en el Sínodo para la Región Panamazónica y otras iniciativas que se están llevando a cabo en Roma en estos días, acompañados por Su Excelencia Monseñor Roque Paloschi, Arzobispo de Porto Velho, y Su Eminencia el Cardenal Claudio Hummes.
El encuentro se abrió con un breve discurso a dos voces, leído por una mujer y un hombre, representantes de los pueblos indígenas, que a través de ellos agradecieron al Santo Padre la convocatoria del Sínodo y pidieron ayuda para hacer realidad su deseo de asegurar una vida pacífica y feliz a sus pueblos, cuidando su tierra, protegiendo sus aguas, para que las puedan disfrutar  sus descendientes.
El Papa Francisco encuentra un grupo de indígenas
El Papa Francisco encuentra un grupo de indígenas
El Papa Francisco dirigió unas palabras a los presentes, subrayando que el Evangelio es como una semilla que cae en la tierra que encuentra y crece con las características de esta tierra. Con referencia a la región amazónica, el Santo Padre señaló los peligros de las nuevas formas de colonización. Finalmente, refiriéndose a los orígenes del cristianismo, nacido en el mundo judío, desarrollado en el mundo greco-latino y que luego llegó a otras tierras, como la eslava, la oriental, la americana, el Papa Francisco reiteró que el Evangelio debe inculturarse, porque "la gente recibe el anuncio de Jesús con su propia cultura".

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

A contribuição "intensa e de qualidade" das mulheres no Sínodo

Cerca de 35 mulheres participam do Sínodo AmazônicoOuça as entrevistas com a socióloga Márcia Maria de Oliveira e Dom Flávio Giovenale, salesiano, bispo da Diocese de Cruzeiro do Sul (AC).
Cidade do VaticanoMuito além das expectativas: assim a socióloga Márcia Maria de Oliveira faz seu balanço dessa segunda semana de trabalhos sinodais. A professora da Universidade Federal de Roraima participa do Sínodo na qualidade de perita.
Nesta entrevista, a doutora, que também é assessora da Rede Eclesial Pan-amazônica, fala da participação das mulheres:
Dra. Márcia de Oliveira
A participação das mulheres tem sido muito intensa e com muita qualidade também. Os conteúdos das apresentações feitas nas congregações foram bem aprofundados e bem trabalhados. Demonstra que as mulheres têm objetivos muito claros para trazer para este Sínodo e um posicionamento quanto à valorização desta liderança, dessa presença histórica das mulheres na Igreja da pan-Amazônia.Diálogo respeitoso
Dom Flávio Giovenale, salesiano, é bispo da Diocese de Cruzeiro do Sul (AC) e resume esses dias de trabalho como “muito proveitosos”.
A primeira semana foi uma reação aos temas do Instrumento de trabalho, já a segunda se começa a avançar, a ir além com a apresentação de sugestões concretas para o documento final.
Dom Flávio fala do seu grupo nos Círculos menores, em que, mesmo com opiniões contrastantes, o diálogo acontece no respeito, com o desejo de crescer:
Dom Flávio Giovenale